
A agricultura brasileira está entrando em uma nova fase com a chamada inteligência de solos, tecnologia capaz de interpretar as características do terreno em profundidade e transformar essas informações em decisões práticas dentro da lavoura. A proposta é deixar para trás o manejo uniforme de grandes áreas e partir para estratégias personalizadas, considerando o que cada parte da propriedade realmente precisa.
Uma das experiências mais recentes foi conduzida pela Primos Agro durante a safra 2025/26, com o uso de uma plataforma desenvolvida pelo Ecossistema Terrus Agri e integrada ao Grupo Piccin. A tecnologia foi aplicada para mapear características do solo, definir zonas de manejo e ajustar automaticamente a quantidade de plantas de acordo com o potencial produtivo de cada área. Os resultados foram expressivos: os mapas chegaram a cerca de 95% de precisão na identificação das zonas de manejo, com produtividades próximas de 100 sacas de soja por hectare em determinadas áreas.
Segundo Diego Siqueira, engenheiro agrônomo, pós-doutor e diretor executivo da Quanticum — empresa integrante do ecossistema —, a ferramenta permite que o produtor pare de trabalhar com médias gerais. Na prática, cada pedaço da lavoura recebe o manejo adequado, o que reduz o desperdício de sementes, fertilizantes e outros insumos.
A plataforma também é capaz de identificar áreas com maior risco de compactação do solo antes que o problema apareça no desenvolvimento das plantas, o que reduz a vulnerabilidade das lavouras em períodos de seca. Além disso, ao evitar operações desnecessárias como a subsolagem, o produtor gasta menos diesel e contribui para a redução da emissão de CO₂.
Entre as soluções já desenvolvidas pela Piccin estão sistemas de aplicação localizada de insumos por esteira de alta precisão e uma plantadeira inteligente criada em parceria com a empresa argentina Crucianelli. A tecnologia ainda integra projetos científicos voltados à captura de carbono e ao desenvolvimento de novos materiais agrícolas, com participação de Shell Brasil, USP, UNESP e a DeepTech MOFTech, incluindo pesquisas com os chamados MOFs — materiais com capacidade de armazenar e controlar moléculas, considerados uma fronteira da química moderna.
Fonte: Portal Agroneg.




