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Notícias/NEWS20/08/2026· KF News

IFI aponta pressão de R$ 105,5 bilhões em restos a pagar sobre o caixa do governo em 2026

A IFI, Instituição Fiscal Independente do Senado Federal, divulgou seu 115º Relatório de Acompanhamento Fiscal apontando que o governo tem R$ 105,5 bilhões em "restos a pagar" acumulados no fim de 2025. Desse total, R$ 11,5 bilhões são de despesas já liquidadas e R$ 94,1 bilhões ainda não foram processados. O valor total é quase 6 vezes superior ao bloqueio de gastos de R$ 17,9 bilhões que está em vigor em 2026, o que aumenta a pressão sobre o caixa federal.

O relatório também questiona os números por trás do cumprimento da meta fiscal. O governo utiliza R$ 62,8 bilhões em deduções previstas em lei para fechar a conta no azul. Sem esses descontos, o deficit projetado seria de R$ 52 bilhões, equivalente a 0,4% do PIB. Para estabilizar a dívida bruta em relação ao PIB, a IFI calcula que seria necessário um superavit primário de 2,1% do PIB.

No acumulado de janeiro a julho de 2026, o deficit primário do governo central chegou a R$ 81,2 bilhões, maior que os R$ 70,3 bilhões registrados no mesmo período de 2025. A receita líquida cresceu 6% em termos reais, mas as despesas primárias subiram 6,3%. O maior destaque negativo foi nos gastos discricionários, que dispararam 44,5% em termos reais, impulsionados por uma regra da LDO de 2026 que determinou a antecipação de 65% do pagamento de emendas impositivas individuais e de bancada no primeiro semestre.

Outro ponto de alerta é o deficit estrutural, que exclui efeitos temporários como royalties de petróleo e calamidades. Esse indicador dobrou: foi de 0,7% do PIB, em junho de 2025, para 1,4% do PIB em junho de 2026. Segundo a IFI, a política fiscal, que havia sido contracionista em 2025, voltou a ser expansionista em 2026.

Fonte: Poder360