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Notícias/AGRONEGÓCIO04/08/2026· KF News

Governo tenta reverter veto da União Europeia à carne e produtos animais brasileiros antes do prazo de setembro

O Brasil está numa corrida contra o tempo para tentar reverter o veto da União Europeia à importação de produtos de origem animal brasileiros. A suspensão entra em vigor no dia 3 de setembro, ou seja, em menos de um mês.

Em maio, a UE publicou uma lista de países autorizados a exportar produtos animais para o bloco e cortou o Brasil da listagem — o que foi recebido como uma surpresa pelo governo brasileiro. A medida foi oficializada um mês depois, em junho. Se a suspensão se confirmar, o Brasil deixa de exportar carne bovina, frango, carne equina, pescado, mel e tripas para os países europeus.

O motivo do veto é o uso de substâncias antimicrobianas na criação de animais. A UE proíbe a importação de produtos vindos de países que utilizam esses componentes para estimular o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais. A Comissão Europeia afirmou que não recebeu do Brasil garantias suficientes de que as exigências do bloco serão cumpridas até setembro de 2026.

O Brasil nega as alegações e tenta demonstrar às autoridades europeias que mantém controle rigoroso sobre o uso dessas substâncias. O maior entrave continua sendo a carne bovina: monitorar todo o ciclo de vida do boi, do nascimento ao abate, leva muito mais tempo do que em outras cadeias produtivas, como a de aves, o que pode inviabilizar a conclusão do processo antes da entrada em vigor da suspensão.

O governo adotou ainda uma nova estratégia, orientando que as negociações sejam conduzidas com tom político e diplomático, com um canal direto criado entre o Itamaraty e a UE. Técnicos europeus fazem uma missão de inspeção no Brasil ainda este mês, etapa considerada decisiva. O foco do governo é a reversão completa do veto, mas, se houver entraves, busca pelo menos uma reversão parcial, incluindo um acordo que libere exportações de determinadas regiões do país.

Fonte: Metropoles