
O agronegócio brasileiro vive um momento de pressão por vários lados. A briga entre Estados Unidos e China, a concentração das exportações no mercado asiático e a fragmentação do comércio mundial estão mudando o jeito de fazer negócio no campo. O assunto foi o centro do debate no encerramento do Workshop do Comitê Consultivo do Planejamento Estratégico do Cooperativismo Paranaense (PRC300), realizado no dia 26 de agosto, com a participação de Marcos Sawaya Jank, professor sênior do Insper e coordenador do Núcleo Insper Agro Global.
Segundo os dados apresentados por Jank, o Brasil exporta cerca de 45% das calorias que produz, percentual bem acima da média mundial de 20%. O agronegócio responde por 50% dos US$ 260 bilhões exportados pelo país. Energia e petróleo participam com 16% e a mineração, com 12%.
A Ásia é o principal destino de grãos, carnes, açúcar, café e celulose brasileiros. A China, maior compradora, investe em biotecnologia e automação para reduzir sua dependência de importações, mas ainda enfrenta falta de água, terra e mão de obra no campo — o que mantém a necessidade de comprar do Brasil.
Do lado das vulnerabilidades, o país importa entre 85% e 90% dos fertilizantes que usa na lavoura, além de defensivos e combustíveis. Tensões nos estreitos de Ormuz, Bab-el-Mandeb e Taiwan, e no Canal de Suez, podem encarecer fretes e comprometer o abastecimento desses insumos. O déficit de armazenagem também força produtores a vender na hora errada, com prejuízo.
No mercado interno, juros altos, oscilação do câmbio e queda nos preços de grãos e carnes em relação a 2022 estão apertando o caixa de produtores e empresas. O resultado aparece no crescimento dos pedidos de recuperação judicial e na busca por renegociação de dívidas. O El Niño acrescenta mais incerteza, podendo afetar chuvas, colheitas e logística.
Na avaliação de Jank, o caminho passa por uma gestão integrada de riscos: diversificar compradores e fornecedores, proteger preços e margens, controlar o endividamento, investir em armazenagem e agregar valor aos produtos. Ele também defende políticas públicas de médio e longo prazo voltadas ao seguro rural e à internacionalização da bioenergia brasileira.
Fonte: Portal Agroneg.




