
O mercado brasileiro de feijão encerra a semana com comportamentos bem distintos entre as duas principais variedades. O feijão-carioca está mais firme, puxado pela retenção dos produtores e pela menor disponibilidade de lotes de melhor qualidade. O feijão-preto, por sua vez, apresenta estabilidade, sustentado pelo equilíbrio entre oferta e demanda, pelo câmbio e pela competitividade nas exportações.
Segundo análise de Evandro Oliveira, da Safras & Mercado, os produtores de feijão-carioca reduziram a oferta imediata de produto, mesmo tendo mercadoria armazenada nas propriedades. Quem tem mais fôlego financeiro está segurando o produto para negociar em condições melhores. Os corretores também passaram a agir com mais cautela, consultando primeiro os compradores antes de oferecer os lotes.
Na Bolsa de Cereais de São Paulo, o feijão-carioca extra, com notas entre 9,5 e 10, foi negociado entre R$ 325 e R$ 330 por saca, na condição CIF São Paulo. Os lotes com nota 9 ficaram próximos de R$ 310, e os de nota 8 em torno de R$ 290. Na origem, em negociações FOB, os melhores lotes do interior paulista chegaram a R$ 322 por saca. Em Minas Gerais, as referências alcançaram R$ 295.
Os empacotadores seguem comprando apenas para reposição de estoque, sem movimentos agressivos de formação de reservas. No médio prazo, o mercado deverá acompanhar a chegada da terceira safra, principalmente em Minas Gerais e Goiás. O impacto nos preços vai depender do volume colhido, da qualidade do produto e do ritmo de comercialização.
No feijão-preto, o mercado está mais equilibrado e com menos disputa pelos lotes. Os preços FOB chegaram a R$ 210 por saca no Sul do Paraná, R$ 218 no Oeste de Santa Catarina e R$ 229 no interior de São Paulo. As exportações funcionam como um importante fator de sustentação. Entre janeiro e julho, o Brasil exportou cerca de 256,2 mil toneladas de feijão, com preço médio de US$ 783,25 por tonelada. Só em julho, o feijão comum preto alcançou entre US$ 1.000 e US$ 1.050 por tonelada no mercado externo. O câmbio entre R$ 5,15 e R$ 5,20 por dólar também mantém favorável a paridade de exportação para determinados lotes, ajudando a limitar quedas no mercado interno.
Fonte: Portal Agroneg.




