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Notícias/AGRONEGÓCIO18/08/2026· KF News

Fazendas de leite que controlam indicadores técnicos resistem melhor às crises de preço

Um levantamento conduzido por Marcelo Irala, gerente técnico do Serviço de Inteligência em Agronegócios (SIA), revelou que propriedades leiteiras que acompanharam seus indicadores técnicos e econômicos de forma contínua conseguiram atravessar melhor o período de queda nos preços do leite registrado entre meados de 2025 e abril de 2026. O estudo reforça que produzir mais já não basta: o produtor precisa saber quanto custa cada litro e onde estão os gastos maiores.

Entre os principais pontos analisados está o Custo Operacional Efetivo (COE), que representa os gastos diretos da produção. O parâmetro recomendado é que ele fique em até 70% da receita bruta. No período avaliado, várias fazendas registraram percentuais acima de 85%, o que deixa pouco espaço para pagar custos fixos, guardar dinheiro e fazer investimentos.

A alimentação também pesa muito na conta. O ideal é que o gasto com concentrado fique abaixo de 40% da receita, mas algumas propriedades chegaram a mais de 45%. O estudo destaca que o desafio não é simplesmente cortar ração, mas encontrar o equilíbrio entre alimentação e produção. Outro índice apontado é a RMCA — Renda Menos Custo Alimentar — que deve ficar em até 50% da receita; algumas fazendas chegaram perto de 60% no período de preços mais baixos.

O levantamento também chama atenção para a produção de leite por vaca, os Dias em Lactação (DEL) e a composição do rebanho. O recomendado é que vacas em produção representem entre 50% e 60% do total, mas algumas propriedades operam com menos de 35%, dificultando a sustentação dos custos. Por fim, Irala destaca que a margem líquida deve superar o custo de oportunidade — ou seja, o retorno da fazenda precisa ser maior do que o produtor obteria investindo seus recursos em outras alternativas.

Fonte: Portal Agroneg.