
O Brasil enfrenta uma queda preocupante no número de caminhoneiros em atividade. Levantamento feito pela CNN com base em dados do Ministério dos Transportes mostra que esse número caiu quase 20% nos últimos dez anos. De 27 estados brasileiros, 19 registraram retração. As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste foram as mais afetadas, enquanto estados como Tocantins e Pará apresentaram crescimento no número de profissionais.
A CNT, Confederação Nacional do Transporte, estima um déficit de cerca de 250 mil motoristas no país. O presidente da entidade, Vander Costa, apontou que o setor perde profissionais para outros países, especialmente Portugal, onde o pagamento em euro se tornou atrativo para motoristas brasileiros.
Os motivos para a escassez são variados: envelhecimento da categoria, falta de renovação geracional, insegurança nas estradas, longos períodos longe da família, remuneração considerada baixa para as dificuldades da profissão e o alto custo para tirar a CNH nas categorias D e E.
O assessor técnico da NTC&Logística, Lauro Valdivia, apontou que muitos motoristas têm migrado para transporte por aplicativo e construção civil. Janderson Maçaneiro, presidente da Associação Catarinense dos Transportadores Rodoviários de Cargas, destacou ainda que o gerenciamento de risco adotado por seguradoras é um dos principais entraves, já que restrições como a proibição de levar familiares nas viagens afastam motoristas e impedem a formação de novos profissionais.
Como resposta, transportadoras ampliaram a capacidade dos caminhões para transportar a mesma carga com menos motoristas. A CNT também adotou programas de qualificação, premiações para caminhoneiros da ativa e contratação de venezuelanos como forma de atrair novos profissionais.
Fonte: CNN




