
Um levantamento do Ministério das Relações Exteriores, incorporado ao Mapa Nacional da Violência de Gênero em parceria com o Senado Federal, mostra que os consulados brasileiros registraram 1.631 casos de violência doméstica e de gênero contra brasileiras no exterior em 2024. A Europa concentra o maior número: 730 casos, o equivalente a 45% do total, mais que o dobro da segunda colocada. A América do Norte aparece em seguida, com 412 casos (25%), depois a América do Sul com 356 (22%). As demais regiões — Ásia, Oriente Médio, África, América Central, Caribe e Oceania — somam juntas menos de 8% dos registros.
Por país, os Estados Unidos lideram com 397 casos. A Bolívia aparece em segundo com 258 e a Itália em terceiro com 153. Completam a lista Portugal (144), Reino Unido (102), Espanha (79), Irlanda (65) e Bélgica (43). Só os cinco países europeus mais bem colocados somam 543 casos, quase três quartos dos registros de toda a Europa.
Um dos dados mais expressivos é o crescimento dos registros na Bolívia: de 28 casos em 2023 para 258 em 2024, um aumento de 821%. Segundo o Mapa, esse salto está ligado também ao reforço no atendimento consular — depois que o Consulado-Geral em Santa Cruz de la Sierra passou a contar com uma psicóloga especializada, mais brasileiras se sentiram encorajadas a buscar ajuda e formalizar os relatos.
O levantamento também aponta lacunas na coleta de dados: na América Central e Caribe, 87,5% dos países não têm registros. Na África, são 67,7%; no Oriente Médio, 58,3%; e na Ásia, 57,9%. Mesmo na Europa, 31,4% dos países não apresentam notificações. A ausência de registros, porém, não significa que não haja casos — fatores como barreiras de idioma, dificuldade de acesso aos serviços e distância dos consulados podem influenciar a subnotificação.
Fonte: Metropoles




