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Notícias/SAÚDE25/08/2026· KF News

Estudo investiga se o Alzheimer pode ser transmitido por transfusão de sangue

A possibilidade de o Alzheimer ser transmitido por transfusão de sangue ainda não está comprovada, mas passou a ser investigada com mais atenção por cientistas. Uma revisão publicada na revista The Lancet, em 22 de agosto, reuniu pesquisas sobre o tema e apontou indícios biológicos que merecem acompanhamento. O risco, até agora, é considerado baixo.

O centro da investigação é a beta-amiloide, uma proteína associada ao Alzheimer. A principal dúvida dos pesquisadores é se fragmentos dessa proteína poderiam ser transferidos de uma pessoa para outra durante procedimentos médicos.

A ideia de transmissão não é nova. Em 2015, um estudo apontou que alterações ligadas à beta-amiloide poderiam ser passadas entre pessoas em contextos médicos específicos. Em 2018, outra pesquisa sugeriu que instrumentos cirúrgicos contaminados poderiam carregar essas proteínas alteradas, num mecanismo parecido com o de doenças causadas por príons, em que proteínas anormais induzem mudanças em outras proteínas.

Em 2023, um grande estudo com dados da Dinamarca e da Suécia chamou atenção ao mostrar que pessoas que receberam sangue de doadores que mais tarde tiveram hemorragias cerebrais apresentaram maior chance de desenvolver o mesmo problema anos depois. Uma hipótese levantada pelos pesquisadores é que pequenas quantidades de beta-amiloide já estivessem no sangue desses doadores antes mesmo do surgimento da doença.

Apesar desses achados, o neurologista John Collinge, um dos autores da revisão, foi direto: "Não temos informações suficientes para medir esse risco." A revisão também aponta a falta de estudos de longo prazo que acompanhem pacientes para verificar se há transmissão dessas proteínas pelo sangue. Entre as medidas sugeridas estão o monitoramento de quem faz transfusões com frequência e a busca por biomarcadores que indiquem a presença precoce dessas proteínas em doadores. Os autores reforçam que as transfusões de sangue seguem sendo seguras e essenciais, com benefícios já estabelecidos.

Fonte: Metropoles