
Um levantamento internacional publicado na revista Nature Communications em 16 de julho catalogou 54.945 espécies de vírus que circulam em cidades pelo mundo todo, incluindo São Paulo. O estudo analisou amostras coletadas em 102 cidades de 31 países e revelou que cerca de 77% desses vírus nunca tinham sido descritos pela ciência antes.
As amostras foram retiradas de superfícies de uso comum, como corrimãos e bancos, além de solo, água, sedimentos e redes de esgoto. Parte do material foi coletada durante a pandemia da Covid-19, entre março e julho de 2020. Para examinar tudo, os cientistas usaram a metatranscriptômica, uma técnica que sequencia todo o material genético de uma amostra ao mesmo tempo, sem precisar isolar cada organismo. Ferramentas de bioinformática ajudaram a identificar quais sequências pertenciam a vírus e a entender como eles se relacionam entre si. Em alguns casos, os vírus eram tão diferentes dos já conhecidos que os pesquisadores precisaram propor grupos inteiramente novos para classificá-los.
Os resultados foram organizados no UPVAtlas, um banco de dados que reúne a diversidade de vírus de RNA encontrados em ambientes urbanos movimentados, como estações de transporte, hospitais e esgoto. A presença de tantos vírus não representa risco direto à população. Os pesquisadores só conseguiram identificar um possível hospedeiro para cerca de um terço das sequências, e mais da metade desse grupo corresponde a vírus que infectam bactérias. Foram identificados 60 vírus com alta probabilidade de infectar humanos e 47 associados a outros mamíferos. Segundo os autores, os 54 mil vírus catalogados representam apenas uma parte do que existe nesses ambientes, já que novas amostras continuam revelando espécies ainda desconhecidas.
Fonte: Metropoles




