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Notícias/NEWS22/08/2026· KF News

Estudo da UFMG projeta redução de até 38% da Amazônia até 2060 com avanço das savanas

Um estudo publicado no Journal of Biogeography por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais traça um cenário preocupante para as florestas tropicais nas próximas décadas. O trabalho é assinado pelos professores Ubirajara Oliveira e Britaldo Silveira Soares Filho, do Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG.

Os pesquisadores analisaram a distribuição da vegetação tropical — incluindo florestas, savanas, desertos, regiões semiáridas e áreas úmidas — desde o fim do Plioceno, há cerca de 3,3 milhões de anos, até o Holoceno tardio, iniciado há aproximadamente 4.200 anos. A partir desse histórico, projetaram as possíveis mudanças para o período de 2041 a 2060.

As projeções foram feitas com base em dois cenários de emissão de gases do efeito estufa. Em ambos, os modelos apontam redução das florestas tropicais e abertura da vegetação. No cenário de emissões mais elevadas, a Amazônia pode perder até 38% da sua área potencial de floresta.

Um dos alertas centrais do estudo é a velocidade dessas transformações: mudanças que levaram 2,7 milhões de anos para acontecer podem se repetir em apenas algumas décadas.

O professor Ubirajara Oliveira explica que cerca de 22% das regiões tropicais mantiveram o mesmo tipo de vegetação ao longo dos 3,3 milhões de anos analisados. Na Amazônia, um núcleo equivalente a aproximadamente 38% da extensão do bioma permaneceu coberto por floresta durante todo esse período. Mas, segundo ele, essa estabilidade histórica não significa resistência às mudanças futuras — pelo contrário, pode indicar maior vulnerabilidade, já que as espécies dessa região foram selecionadas para condições muito específicas.

Sobre a Mata Atlântica, o estudo classifica 56,43% do bioma como área de elevada instabilidade histórica. Para Ubirajara, isso pode ter tornado sua biodiversidade mais resiliente às variações climáticas ao longo do tempo, mas o desmatamento histórico e recente é o principal problema atual do bioma.

Os pesquisadores defendem que as informações do estudo sirvam de base para políticas públicas de conservação, priorizando tanto as áreas estáveis quanto as que sofrem pressão do desmatamento, da caça e do fogo. Ubirajara também ressalta a necessidade de ações globais para reduzir as emissões de gases do efeito estufa como forma de proteger a biodiversidade tropical.

Fonte: Poder360