
Um estudo feito por pesquisadores da Espanha e da Suíça, publicado em abril deste ano, mostrou que é possível reprogramar a microglia — a célula de defesa do sistema nervoso central — para combater o Alzheimer. A chave está no funcionamento conjunto de uma enzima chamada PM20D1 e de uma molécula chamada OLE, que juntas transformam células com perfil patológico em células com perfil protetor do cérebro.
Segundo o Ministério da Saúde, o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que deteriora a memória e a cognição. Isso acontece porque algumas proteínas do sistema nervoso são processadas de forma errada, gerando toxicidade e matando neurônios.
No estudo, a PM20D1 age regulando o metabolismo e orientando as células da microglia a combater a doença por meio da síntese da OLE. Já a OLE ativa um grupo de genes chamados PIGs, que fortalecem a microglia ao redor das placas amiloides — acúmulos de proteínas nocivas entre os neurônios e principal marca biológica do Alzheimer. A molécula atua principalmente na limpeza dessas placas, desintoxicando o cérebro. Nos neurônios, a reprogramação foca na neuroproteção e na melhora do combate ao estresse oxidativo, que enfraquece a comunicação neural — e essas duas mudanças juntas podem restaurar a capacidade cognitiva.
Os testes foram realizados em camundongos com tratamento oral de OLE, em vermes e em culturas de células no formato in vitro. Nos camundongos, foi observada recuperação de funções cognitivas e redução das placas no cérebro. A pesquisa ainda não determinou uma dosagem segura para uso clínico em humanos, mas aponta isso como um passo a ser dado no futuro.
Fonte: CNN




