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Notícias/AGRONEGÓCIO24/08/2026· KF News

Energia elétrica vira insumo estratégico e passa a impactar o custo por hectare nas fazendas brasileiras

A energia elétrica deixou de ser só uma despesa operacional para se tornar um insumo estratégico nas propriedades rurais brasileiras. Com a expansão da irrigação, da armazenagem, da refrigeração e dos sistemas automatizados, o consumo de energia passou a influenciar diretamente o custo por hectare, a produtividade e a margem financeira do produtor.

A gestão energética no campo, porém, ainda costuma se limitar à comparação entre a conta atual e a do mês anterior. Essa análise isolada da fatura não revela falhas operacionais, contratos inadequados ou desperdícios. Para administrar bem esse recurso, o produtor precisa avaliar quando, onde e como a energia é consumida, se a demanda contratada está adequada e se os equipamentos funcionam nos horários de tarifa mais cara.

O Brasil tem cerca de 8,5 milhões de hectares irrigados e potencial para alcançar 55 milhões. Além da irrigação, a eletricidade está presente na secagem e armazenagem de grãos, na climatização de granjas, na ordenha mecanizada, na refrigeração de leite e carnes, na conservação de frutas e hortaliças, no processamento de alimentos e na automação das propriedades.

Gustavo Sozzi, CEO da Lux Energia, defende que a energia precisa ser administrada como insumo. Ele explica que reduzir o consumo de forma indiscriminada pode causar prejuízos maiores do que a economia gerada, como queda de produtividade por corte na irrigação ou perda de qualidade por redução da refrigeração.

Entre os fatores que encarecem a conta sem trazer ganhos produtivos estão a contratação de demanda acima do necessário, o acionamento simultâneo de equipamentos e a realização de atividades nos horários de tarifa mais elevada. Contratos que não acompanham a sazonalidade entre safra e entressafra também geram despesas desnecessárias.

Sozzi recomenda que qualquer decisão seja precedida de um diagnóstico do perfil de consumo. "Sem esse diagnóstico, o produtor corre o risco de contratar uma solução que parece econômica, mas não corresponde às necessidades da propriedade", ressalta. Entre as alternativas disponíveis estão a revisão da demanda contratada, a mudança de modalidade tarifária, a reorganização dos horários de operação, a substituição de equipamentos ineficientes, a geração distribuída e a migração para o mercado livre de energia.

Fonte: Portal Agroneg.