
A genética está mudando de papel. Se antes ela servia para explicar por que uma doença surgiu, hoje ela começa a estimar a probabilidade de uma doença aparecer décadas antes dos primeiros sintomas. A tecnologia por trás disso se chama escore de risco poligênico, conhecido pela sigla PRS. Ela analisa milhares de pequenas variações espalhadas pelo genoma de uma pessoa para calcular a predisposição a doenças complexas como diabetes tipo 2, Alzheimer, câncer de mama e doenças do coração.
Diferente das doenças causadas por uma única mutação genética, essas condições envolvem centenas ou milhares de genes, além de fatores como alimentação, atividade física, sono e condições de vida. O PRS reúne todas essas contribuições em uma estimativa de risco. Não é uma previsão absoluta, mas um mapa de probabilidades.
Na prática clínica, isso pode transformar a prevenção. Quem tem risco alto para doenças cardiovasculares pode iniciar medidas preventivas mais cedo, fazer exames com mais frequência ou receber acompanhamento mais próximo. Quem tem risco baixo pode evitar intervenções desnecessárias.
Mas os avanços trouxeram perguntas sérias. Uma reportagem do The New York Times chamou atenção para o risco de essas informações genéticas serem usadas fora do ambiente médico. Especialistas em bioética e direito alertam que a legislação contra discriminação genética pode não ter acompanhado a velocidade dessa tecnologia. O risco é que empregadores, seguradoras ou outras instituições usem dados genéticos para tomar decisões sobre contratação, planos ou oportunidades.
O Dr. Wagner Antonio da Rosa Baratela, CRM 121162-SP, Head de Genética do Grupo Fleury, destaca que o DNA oferece possibilidades, não destinos, e que o conhecimento genético deve servir para ampliar a autonomia das pessoas, nunca para restringi-la. Ele também aponta que esses modelos ainda não capturam toda a complexidade da saúde humana e que seu desempenho pode variar entre populações de diferentes ancestralidades.
Fonte: Jovem Pan




