
Levantamentos divulgados em julho de 2026 mostram que mais da metade dos eleitores brasileiros aponta os debates na TV e as entrevistas ao vivo como os formatos com maior poder de persuasão na reta final das campanhas, superando tanto a propaganda obrigatória quanto os materiais distribuídos por aplicativos de mensagens como o WhatsApp.
A relação entre televisão e eleição no Brasil tem raízes profundas. Em 1989, na primeira eleição direta pra presidente depois do regime militar, os embates em horário nobre pararam o país e mostraram o poder da TV de destruir reputações e consolidar candidaturas. Mesmo com a chegada das redes digitais, esse peso não desapareceu. Desempenhos fracos ao vivo já derrubaram candidatos que lideravam com folga, enquanto atuações fortes garantiram passaporte para o segundo turno a nomes que vinham de longe.
O debate é o único espaço onde o político perde a proteção da equipe e precisa enfrentar o contraditório em tempo real, sem teleprompter, sem roteiro e sem marqueteiro no ouvido. Uma hesitação longa, uma resposta agressiva fora de tom ou um momento de descontrole emocional costumam cobrar um preço alto nas urnas. Linguagem corporal, postura e capacidade de manter a calma sob pressão formam a mensagem que o eleitor indeciso absorve.
O impacto vai além da transmissão ao vivo. Os momentos mais tensos ou as gafes mais visíveis são cortados e transformados em vídeos curtos que inundam o WhatsApp na manhã seguinte, alcançando até quem não sintonizou no canal.
Nas estratégias de campanha, quem lidera nas pesquisas tende a adotar postura defensiva, evitando erros e buscando um tom pacificador. Em casos de liderança isolada, estrategistas chegam a cogitar a ausência do candidato, avaliando que o custo de faltar é menor do que o risco de virar alvo de todos os adversários ao mesmo tempo. Já quem está em segundo ou terceiro lugar entra no estúdio com missão clara: desestabilizar o líder ou polarizar com um adversário direto. O eleitor indeciso é o alvo central de toda essa movimentação.
Pela legislação eleitoral brasileira, partidos, federações ou coligações com ao menos 5 parlamentares no Congresso Nacional têm presença garantida nos debates. A inclusão de candidatos de legendas menores é facultativa e depende da concordância dos demais convidados e da emissora. Não existe multa ou sanção do Tribunal Superior Eleitoral para quem decide faltar, mas a cadeira vazia pode ser usada pelos adversários para atacar sem que o ausente possa se defender.
As regras também preveem o direito de resposta em caso de ofensas ou acusações, concedido por um comitê jurídico da emissora durante o programa. O uso de celulares, tablets ou pontos eletrônicos é proibido pelo padrão geral dos debates. Anotações em papel costumam ser permitidas, mas exibir documentos ou fotos diretamente para as câmeras é vedado.
Fonte: Jovem Pan




