
O Brasil gasta R$ 10 por dia com judicialização — o que representa R$ 164,6 bilhões por ano. Os números vêm do relatório Justiça em Números 2026, divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça com base nos dados de 2025. Só naquele ano, foram baixados 45,2 milhões de processos, com custo médio aproximado de R$ 3,6 mil por ação.
O relatório deixa claro que o custo de um processo não recai só sobre quem está na disputa. Cada ação movimenta juízes, servidores, estrutura física, sistemas digitais e recursos públicos — ou seja, toda a sociedade acaba pagando a conta.
Na avaliação da pesquisadora e professora do Insper Luciana Yeung, esse é um dos principais desafios do Judiciário hoje. Segundo ela, o custo privado de entrar com uma ação é relativamente baixo pra quem aciona a Justiça, enquanto o custo social é dividido entre todos os contribuintes. O resultado é que conflitos que poderiam ser resolvidos por canais administrativos, consensuais ou digitais acabam indo direto ao Judiciário, sobrecarregando um sistema que já está na corda bamba.
Nesta semana, o STF discutiu os parâmetros pra concessão da justiça gratuita. Em paralelo, o STJ analisa o Tema 1.396, que debate se o consumidor é obrigado a tentar resolver o problema com a empresa pelos canais de atendimento antes de poder entrar com uma ação na Justiça.
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