
Nada no visual de um candidato é por acaso. A escolha da cor do terno, da camisa ou da gravata é calculada para passar uma mensagem antes mesmo de o político abrir a boca. Em campanhas de alto nível, o guarda-roupa deixou de ser questão de gosto pessoal e virou ferramenta de comunicação não verbal, usada para transmitir autoridade, moderação ou proximidade com o trabalhador comum.
O marco histórico dessa virada foi o debate presidencial americano de 1960, o primeiro transmitido pela televisão. Kennedy usou terno escuro e projetou vigor e presença de palco. Nixon escolheu terno cinza claro que sumiu no fundo do estúdio, deixando-o com aparência pálida e enfraquecida. Aquele confronto visual provou aos estrategistas que a imagem valia tanto quanto o plano de governo.
Desde então, as cores têm papéis bem definidos. Azul marinho escuro transmite estabilidade e segurança. Vermelho intenso é usado no primeiro turno para mobilizar a base ideológica. Quando a disputa vai para o segundo turno, candidatos de esquerda trocam o vermelho por azul claro ou branco, sinalizando moderação. Políticos de direita usam verde e amarelo para acionar o sentimento patriótico, mas podem suavizar os tons para evitar associações com extremismos.
Mulheres em posições de poder frequentemente vestem branco em debates e posses para homenagear o movimento sufragista feminino do início do século XX. No Brasil, a Justiça Eleitoral não impõe nenhuma restrição de cor, proibindo apenas propaganda de marcas comerciais e mensagens que ofendam a honra de terceiros.
Fonte: Jovem Pan




