
O Supremo Tribunal Federal negou, na segunda-feira (24/8), um habeas corpus para Yul Neyder Morales Sanchez, conhecido como "Crespo". Ele é colombiano, fazendeiro e está foragido da Justiça brasileira. Foi condenado no Brasil a sete anos de prisão por associação para o tráfico internacional de drogas e é suspeito de abastecer o PCC com cocaína.
A ministra Carmen Lúcia, relatora do caso, reforçou a descrição feita pelo ministro Herman Benjamin, do STJ, que define Yul como "grande produtor e fornecedor de cocaína para narcotraficantes brasileiros e estrangeiros", que movimentava "expressiva quantidade da droga".
A Polícia Federal chegou até ele ao interceptar comunicações da Célula Porto, grupo ligado ao PCC responsável por escoar drogas para a Europa pelo Porto de Santos. O principal elo entre Yul e o PCC é um homem chamado Ademir, o "Farias".
Segundo as investigações, Yul e o pai, Cristobal Morales Velasquez, o "Papi Supremo", têm uma fazenda de produção e refino de cocaína na Bolívia. Em 27 de fevereiro de 2014, Yul enviou fotos dessa fazenda ao traficante Anderson Lacerda Pereira, o "Dido", líder de uma quadrilha especializada em enviar drogas pelo Porto de Santos. Em março daquele ano, a PF flagrou uma entrega do grupo perto de um McDonald's em Santos.
A droga era escondida dentro de contêineres da companhia marítima Grimaldi Lines para burlar a fiscalização. O destino principal era Antuérpia, na Bélgica. Em diálogo interceptado, Dido informou a Yul que compradores estrangeiros, um deles chamado de "Sr. de Espanha", pagaram mais de 251 mil euros por uma remessa — o equivalente a R$ 778,1 mil na época.
Yul foi detido em setembro de 2014 na Colômbia após alerta vermelho da Interpol, mas acabou solto depois que o TRF-3 concedeu habeas corpus por excesso de prazo. Nunca mais foi recapturado. Em março deste ano, a 5ª Vara Federal de Santos expediu novo mandado de prisão e recolocou o nome dele na Difusão Vermelha da Interpol, reforçando também o interesse na extradição por vias diplomáticas.
A defesa, representada pelo advogado Felipe Kirchner Bello, nega as acusações e aponta "graves problemas jurídicos e probatórios" no processo, argumentando que a condenação foi baseada essencialmente em interceptações e atribuição de codinomes, sem reconhecimento formal ou perícia técnica que identifique Yul com segurança.
Fonte: Metropoles




