
A Colômbia está elaborando uma reforma para classificar guerrilheiros, narcotraficantes e outras organizações criminosas como terroristas. A proposta será apresentada ao Congresso e prevê a criação de um marco jurídico específico para ampliar os instrumentos de combate aos grupos armados ilegais no país.
A medida representa uma virada na política de segurança colombiana. O governo anterior, do ex-presidente de esquerda Gustavo Petro, apostava em negociações e iniciativas de desarmamento. O atual presidente, Abelardo de la Espriella, de ultradireita, assumiu no início de agosto com a promessa de adotar enfrentamento direto, com apoio dos Estados Unidos.
O ministro do Interior, Rodrigo Lara, afirmou nesta terça-feira (25/8) que trabalha na elaboração de um estatuto antiterrorista. O texto deverá estabelecer legalmente o que caracteriza uma organização terrorista e, depois, permitir a criação de uma lista com os grupos enquadrados. Lara indicou que a classificação pode alcançar grupos ligados a ataques e incêndios registrados no oeste do país, mas não detalhou quais organizações poderão entrar na lista.
O governo afirma que o país vive o pior surto de violência da última década e que grupos criminosos vêm usando diferentes estratégias para enfraquecer as forças de segurança. Em comunicado divulgado na segunda (24/8), a Presidência colombiana declarou que todos os grupos armados ilegais serão tratados sob uma mesma categoria. "Aqui acabou essa divisão. Todos são terroristas e vamos tratá-los como tal", afirmou De la Espriella.
Entre as medidas anunciadas estão a criação de um Bloco Nacional de Busca contra a Extorsão, formado por Exército, Polícia, Marinha e Força Aeroespacial, em articulação com a Procuradoria e o Judiciário. O governo também retomou o sistema de recompensas, ampliou a rede de colaboradores, anunciou transferências carcerárias urgentes para impedir que presídios funcionem como centros de extorsão, e reativou a Unidade de Informação e Análise Financeira, com acesso a dados bancários dos últimos quatro anos para atacar as finanças dos grupos criminosos.
A mudança caminha junto com a política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já classificou como terroristas organizações criminosas que atuam no México, Colômbia, Equador e Brasil. De la Espriella é aliado próximo da administração Trump e defende maior aproximação entre Bogotá e Washington na área de segurança.
Fonte: Metropoles




