
O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou nesta sexta-feira (28/08/2026), durante o Fórum Lide de Mineração, em São Paulo, que os minerais críticos serão "o novo petróleo das próximas gerações" e que o Brasil está perdendo espaço nessa corrida global, mesmo tendo grandes reservas.
Para mostrar o atraso do país, Pimenta comparou a produção de minério de ferro com a da Austrália. Em 2010, os dois países estavam quase empatados: cerca de 380 milhões de toneladas no Brasil e 400 milhões na Austrália. Quinze anos depois, a produção australiana saltou para aproximadamente 1 bilhão de toneladas, enquanto a brasileira ficou parada em cerca de 400 milhões. Situação parecida, segundo ele, aconteceu com níquel e cobre.
Outro contraste apontado: a mineração representa 14% do PIB da Austrália e 12% do Chile, mas apenas 4% do PIB do Brasil. Além disso, só 28% do território nacional foi mapeado do ponto de vista mineral — na Austrália e no Chile, esse percentual passa de 70%.
Pimenta citou estudo da AIE (Agência Internacional de Energia) que aponta a necessidade de aumentar a oferta de minerais críticos de 5 a 6 vezes nos próximos 20 anos, puxada por inteligência artificial, eletrificação e descarbonização. "Demanda é infinita. Nosso problema é a oferta", disse.
O executivo defendeu um licenciamento mais rápido, mas sem abrir mão do rigor ambiental, com mais profissionais nos órgãos responsáveis e maior uso de tecnologia. Ele lembrou que projetos de mineração levam cerca de 15 anos entre a exploração e o início da operação.
Por fim, Pimenta apresentou estimativas que mostram o potencial do setor: os royalties pagos pela mineração poderiam passar de R$ 74 bilhões nos últimos 10 anos para R$ 130 bilhões nos próximos 10. A estimativa também prevê a geração de 2 milhões de empregos além dos 3 milhões já existentes na cadeia da mineração.
Fonte: Poder360




