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Notícias/NEWS16/08/2026· KF News

Casas Bahia registra prejuízo de R$ 10,1 bilhões e avalia recuperação judicial no segundo trimestre de 2026

A Casas Bahia divulgou na madrugada do domingo, 16 de agosto, o balanço do segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. O resultado foi fortemente impactado por R$ 9,1 bilhões em efeitos não recorrentes ligados ao que a empresa chama de "fase 2 do plano de transformação". Os itens que pesaram no balanço incluem baixa de R$ 5,5 bilhões em imposto de renda diferido, R$ 971 milhões em baixa de ágio, R$ 1,8 bilhão em contingências contratuais e R$ 502 milhões em despesas de reestruturação. Sem esses efeitos, o prejuízo ajustado seria de R$ 1 bilhão.

Do lado operacional, a receita líquida cresceu 1,6% na comparação anual e o GMV total avançou 0,5%, com o desempenho do canal online 1P subindo 15,3%. O lucro bruto cresceu 10,9% e a margem bruta chegou a 32,9%. O EBITDA ajustado foi de R$ 518 milhões, com margem de 7,4%. A empresa gerou R$ 798 milhões em caixa livre e reduziu a dívida líquida em R$ 3,8 bilhões em 12 meses, queda de 76%.

Mesmo assim, o cenário financeiro é crítico. O passivo circulante supera o ativo em R$ 7,8 bilhões e o patrimônio líquido está negativo em R$ 8,27 bilhões. A empresa acumula perdas de R$ 11,2 bilhões no semestre e tem R$ 6,3 bilhões em créditos tributários que dependem de lucros futuros para serem aproveitados.

A Casas Bahia admite nos documentos entregues ao mercado que avalia novas medidas formais, incluindo possível recuperação extrajudicial ou judicial. Uma captação internacional considerada estratégica não se concretizou porque o investidor âncora desistiu na etapa final. A auditoria Ernst & Young se absteve de confirmar a capacidade de continuidade operacional da companhia.

O plano de reestruturação prevê fechar 298 lojas menos rentáveis, reduzir custos estruturais, ajustar estoques e refinanciar dívidas. Segundo o Valor Econômico, cerca de 1,9 mil funcionários já foram demitidos. Analistas do Itaú BBA apontaram avanços em EBITDA e desalavancagem, mas alertaram que a Casas Bahia é uma das empresas mais sensíveis à taxa Selic em seu universo de cobertura.

Fonte: CNN