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Notícias/NEWS26/08/2026· KF News

Casas Bahia pede à Justiça que Banco do Brasil devolva R$ 422 milhões debitados das contas da varejista

A Casas Bahia entrou com um pedido na Justiça de São Paulo na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, exigindo que o Banco do Brasil devolva R$ 422 milhões debitados diretamente das contas da empresa. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo, com reportagem assinada por Diego Felix, Guilherme W. Almeida e Tamara Nassif.

De acordo com a petição, o BB atuava como fiador em garantias que a Casas Bahia tinha contratado junto aos fornecedores Apple e Mapfre Seguros. Com o ajuizamento do pedido de recuperação judicial, esses fornecedores acionaram as garantias. O banco honrou os pagamentos e, na sexta-feira (21 de agosto), debitou o valor correspondente das contas da varejista para se ressarcir.

A Casas Bahia contesta a medida, afirmando que o BB usou a operação para satisfazer um crédito que deveria estar sujeito às regras do processo de recuperação judicial. Os advogados da empresa dizem que isso viola o princípio da paridade entre credores — ou seja, nenhum credor pode ser favorecido em relação aos outros fora do plano de recuperação. Segundo a petição, "diversos desses credores já iniciaram verdadeira 'corrida' para satisfação individual de seus créditos em termos distintos do plano recuperacional". O BB e a Apple informaram que não vão comentar o caso.

No mesmo documento, a varejista afirma que o banco BTG Pactual travou movimentações e consultas de saldo nas contas da empresa. Além disso, as empresas de pagamento Cielo, Getnet e Redecard retiveram recebíveis de cartões do grupo. A Casas Bahia diz que essa retenção tem como objetivo precaver valores caso consumidores cancelem compras com medo da recuperação judicial.

A Casas Bahia registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 e perda acumulada de R$ 11,2 bilhões no ano. Em 16 de agosto, a empresa pediu recuperação judicial para reestruturar R$ 17,3 bilhões em dívidas. Em 19 de agosto, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo deferiu parcialmente os pedidos e determinou perícia prévia. O pedido de recuperação ainda não foi deferido definitivamente. No mesmo período, a empresa anunciou o fechamento de 298 lojas e demitiu cerca de 1.900 trabalhadores entre 13 e 17 de agosto, mas a Justiça do Trabalho suspendeu provisoriamente os desligamentos.

Fonte: Poder360