
A aquaponia é um sistema que une a criação de peixes com o cultivo de hortaliças num único ciclo fechado de recirculação de água. A tecnologia pode reduzir em até 90% o consumo de água em comparação à agricultura convencional, praticamente elimina o descarte de resíduos líquidos no meio ambiente e reduz significativamente o uso de fertilizantes químicos e defensivos agrícolas.
No Brasil, o Instituto de Pesca (IP-APTA), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, conduz pesquisas para ampliar a viabilidade comercial das chamadas fazendas urbanas. Os estudos são feitos no Serviço Regional de Pesquisa de Pirassununga pelo pesquisador Marcello Boock, responsável pelo projeto AQUACAPACITA, dentro do programa AQUAINTEGRA, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e coordenado pela pesquisadora Fabiana Garcia.
O funcionamento acontece em ciclo: os peixes recebem alimentação e produzem resíduos ricos em amônia, que são transformados por bactérias em nitrato, nutriente absorvido pelas plantas. As plantas limpam a água e a devolvem aos tanques, reiniciando o processo. Como a água fica em recirculação constante, as perdas ocorrem basicamente por evaporação e transpiração das plantas, o que faz o sistema usar cerca de 10% da água consumida pela agricultura tradicional.
O sistema também se adapta ao cultivo vertical, aproveitando telhados, galpões, subsolos e outras estruturas urbanas para produzir alface, rúcula, agrião, outras hortaliças folhosas e peixes de alto valor comercial, como a tilápia. Produzir dentro das cidades reduz a distância percorrida pelos alimentos até o consumidor, o que diminui custos de transporte e emissões de gases de efeito estufa.
Os desafios ainda incluem o investimento inicial em bombas hidráulicas, iluminação LED e mão de obra especializada, além do controle rigoroso de temperatura, pH da água e oxigenação. Para superar essas barreiras, pesquisadores trabalham com sensores de Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial para prever desequilíbrios biológicos e integração com energia solar, eólica e biomassa.
Fonte: Portal Agroneg.




