
O Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma do Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) do Senado Federal, divulgou dados que mostram uma realidade dura: 29 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses. Apesar disso, 93,6% dessas mulheres nunca procuraram uma delegacia, o Ligue 180 ou o 190.
O levantamento aponta uma diferença grande entre o que as mulheres vivem e o que reconhecem como violência. Apenas 4% das entrevistadas disseram espontaneamente ter sofrido violência doméstica. Quando a pesquisa perguntou sobre situações específicas, sem usar a palavra "violência", o número subiu para 33%. O total de casos que nunca chegou ao conhecimento das autoridades é cerca de 14,6 vezes maior do que o grupo que fez alguma denúncia ou buscou proteção.
Entre os tipos de agressão, a violência psicológica lidera com 88% dos casos, seguida da moral e física, ambas com 81%, da patrimonial com 41% e da sexual com 30%. O agressor mais comum é o marido, companheiro ou namorado, vínculo que cresceu de 58%, em 2023, para 70% na edição mais recente. O ex-parceiro aparece em segundo lugar, responsável por 11% dos casos.
Pela primeira vez, a pesquisa investigou a presença de testemunhas. Em 71% das agressões declaradas nos últimos 12 meses, havia outra pessoa no local, o equivalente a ao menos 2,6 milhões de episódios. Dessas testemunhas, 71% são crianças, sendo quatro em cada cinco filhos da própria vítima.
A 11ª edição da pesquisa também ouviu 43 mulheres trans e travestis. Do total, 56% sofreram violência doméstica no último ano, mas apenas 9% reconheceram o episódio como violência espontaneamente. A violência psicológica aparece em 95% dos relatos, e as violências física e moral em 88% cada. Mesmo com a proteção da Lei Maria da Penha, garantida desde 2022 pelo STJ, 88% das vítimas trans ouvidas não buscaram serviços de proteção.
Fonte: Metropoles




